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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Falando em Ditadura...


Quem perdeu a grande reportagem feita pelo Jornal da Record no dia 23 de outubro (veja o vídeo abaixo), criticando o jornalismo de conveniência da Folha de São Paulo?

Tirando o interesse do "vamos destruir a reputação histórica do concorrente", foi ousado por parte da emissora em assumir o risco de levar um belo processo pela revelação polêmica.

Denúncia de jornalistas "subversivos", carros da redação para levar presos, casos nada heróicos, oposto do que se gabam - hipócritas - diversos jornais impressos... A resposta (leia-se revolta) ao editorial publicado em fevereiro de 2009 e polemizado pelo trocadilho Ditabranda foi dura. Entraram numa Frias.

PS: Sobre a história do Folha da Tarde, jornal vespertino do grupo de maior tiragem (policial mesmo), sugiro a apuradíssima pesquisa de Beatriz Kushnir no livro-reportagem Cães de guarda.


*Charge de Carlos Latuff



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Memórias Amargas Reveladas


Recentemente, a doutora em psicanálise Maria Rita Kehl, em entrevista à revista baiana Muito (edição 25/10), citou brevemente sua vivência durante regime militar brasileiro (1964-1985) e o "clima" que envolvia boa parte daquela geração em movimentos de esquerda e causas sociais.

Uma observação é que, segundo ela, "o Brasil teve muita pressa em apagar seu passado", o que permite que esse tema ainda seja incômodo pela falta de esclarecimento sobre o que de fato ocorreu no período.

Outro dado ainda mais curioso que Kehl acrescenta é o fato de que esse é o único país da América Latina no qual a violência policial continuou evoluindo após um estado autoritário. Mais do que calejados, já tivemos duas experiências históricas desse tipo no século XX.

Coincidência ou não, também estamos bem distantes do comportamento adotado pelos vizinhos Argentina, Uruguai e Chile, que não tiveram tanta resistência em abrir seus arquivos e punir torturadores. Esse último, por exemplo, o fez até mesmo com o seu ex-general-presidente Augusto Pinochet (1973-1990).

A fala da psiquiatra me lembrou as recentes propagandas do Portal Memórias Reveladas, que têm sido veículadas na televisão (clique aqui para ver o vídeo).

Antes tarde do que nunca, quem sabe o projeto da Secretaria Especial de Direitos Humanos - criada no governo Lula e muito criticada pelos setores mais conservadores da nossa política (muitos dos quais compactuavam com o governo da época), e encabeçada por figuras-chave como o ex-militante Paulo Vannuchi, não consegue fazer o que esperam há mais de 40 anos as famílias das centenas de brasileiros desaparecidos.

O que elas exigem é o direito de, ao menos, poder velar o corpo do ente querido e ver o agressor cumprir pena pelo seu assassinato, uma palavra até eufemista diante da normalidade com que eram praticadas as torturas.

Para quem quiser saber mais do assunto, é legal visitar o site lançado há pouco tempo. E, ainda mais interessante, os que tiverem documentos que contribuam com informações sobre o período é só mandar  para o email  memoriasreveladas@arquivonacional.gov.br 


Anos traumáticos? Sim. Mas é pior se ignorá-los. É uma grande oportunidade para ajudar a esclarecer uma página da nossa história que simplesmente foi destruída para impedir o acesso e a consciência crítica das gerações futuras. Acho que começo a acreditar na democracia brasileira...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Um pouco de jornalismo opinativo...


Muito boa observação de Luiz Carlos Prates, comentarista da RBS Santa Catarina, filiada da Rede Globo, em 20/4/2009, sobre os gastos de parlamentares com passagens aéreas para o lazer da família. São raros jornalistas corajosos assim terem espaço na televisão (que muitas vezes é tão voltada ao monopólio familiar quanto alguns integrantes do Congresso Nacional).


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Casa de Praia


Segue abaixo a sinopse e o documentário (dividido em três partes) que fizemos em junho de 2009 para resgatar um pouco da história dessas barracas:

FICHA TÉCNICA
Direção e Produção: Antônio Almeida, Edward Franklin, Luciana Zacarias e Tadeu Paz
Imagens: Cristiano Pimenta
Edição: Edvaldo Albuquerque
Orientação: Juliana Gutmann

Duração: 14 min.
Músicas: Saudação à Iemanjá (Leci Brandão) e Na Beira do Mar (Jorginho do Império)


Qual a origem das barracas da orla de Salvador?

O nome "Casa de Praia", ironia aos empreendimentos luxuosos que localizam-se em frente à praia, refere-se às barracas como verdadeiros estabelecimentos que vivem desse espaço e para ele. É também uma associação entre as antigas casas de veraneio - quando a orla norte de Salvador ainda era pouco povoada, e a atual região composta, sobretudo, por barracas.
Através da memória dos barraqueiros Robério Bastos, Aloísio Almeida e Jorge Bonfim, o documentário reconta a origem de parte da cidade e faz uma contextualização histórica da classe, que há muito tempo trabalha para proporcionar comodidade aos frequentadores das praias soteropolitanas.
Nessa linha, o documentário visa dar notoriedade e voz àqueles que lutam com muito ardor para manter suas barracas de praia sustentáveis e contribuem para a cultura de lazer e turismo na cidade, gerando emprego e renda.



Continue assistindo no Youtube.

O fim das barracas?



Após mais de trinta anos de cultura de praia, Salvador passa por um novo processo que certamente irá descaracterizar sua imagem. Nada contra uma orla organizada, limpa e bonita, -como a de Aracaju (SE) - mas deve-se pensar no estreito laço entre a formação desse espaço de lazer com a instalação e o trabalho dos barraqueiros, que caiu ao gosto do público.

As notícias em si deixo para os veículos tradicionais. Quero apenas chamar atenção para a legitimidade de muitas barracas da orla marítima de Salvador (regularizadas) que, com a derrubada, poderão simplesmente dar espaço a mais grandes empreendimentos e desempregar muitas famílias que há anos têm nessa atividade sua única fonte de renda. Será que o governo vai lhes arranjar algum emprego justo que as contemple após seu despejo? Acredito que não.


* Na montagen, da esq. para dir.: Robério Bastos, da extinta Barraca do Robério, em Jaguaribe; Aloísio Almeida, mais conhecido "Aloísio Sky", da barraca Yellow Sky, na Boca do Rio (Praia dos Artistas); e Jorge Bonfim, da barraca Senhor do Bonfim, em Ondina.

OBS: Todos eles têm no mínimo trinta anos de experiência em barracas de praia na orla marítima de Salvador.

Mais informações sobre o caso nos sites de A Tarde e Correio.

Grite aos sete ventos

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